domingo, 15 de maio de 2011

José está perdido!

José saiu de casa como quem queria nada. E queria nada mesmo. Ou sim: descontrair, fugir de algo ou de alguém. Se sabe que andou por aí sem ter aonde ir. Ou tinha? E se tinha o que seria? Fato é que ele dizia nada, olhava as calçadas de cabeça baixa, olhava as pessoas nas entrelinhas. Ele ouviu alguém, mas disfarçou e fingiu não entender. O que queria José? Um menino o parou e disse: moço, me ajuda. José nem sequer olhou. Caminhou e continuou sem achar caminho. Mas espera, e se ele tivesse parado e falado com o menino? Ele não andaria mais. Ou andaria, mas não sozinho. Eles poderiam ter conversado, ter rido juntos, ter feito coisas juntos. José não tinha dinheiro para ajudá-lo, mas tinha a si mesmo. E poderiam ter brincado e ele poderia tê-lo adotado, mas não. Não se sabe por que ou por quem ele andava. Se sabe que ele não parou até que descontraído ele não observou que vinha um carro e... ele se salvou. Tinha sido por pouco: poucos centímetros. E se ele não tivesse sido empalhado pelo menino, talvez tivesse morto, com perna quebrada, em um hospital de sei lá onde. Mas não. Tudo estava normal. Não havia necessidade de desespero. José caminhou em círculo e voltou pra casa onde dormiu por mais uma noite. E se José não tivesse voltado? Teria achado o garoto? E porque não voltou? Onde ele queria ir não se sabe. E o garoto ninguém viu.

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